{"id":6815,"date":"2024-07-10T14:28:00","date_gmt":"2024-07-10T14:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/critecws.com\/opco\/?p=6815"},"modified":"2025-06-04T11:43:00","modified_gmt":"2025-06-04T11:43:00","slug":"crise-dos-chips-continua-a-abalar-automovel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecws.com\/opco\/crise-dos-chips-continua-a-abalar-automovel\/","title":{"rendered":"Crise dos chips continua a abalar autom\u00f3vel"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A crise dos chips ainda n\u00e3o tinha sido superada mas com a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia pode piorar. Respons\u00e1veis do setor autom\u00f3vel falam das consequ\u00eancias e da import\u00e2ncia destes pa\u00edses.<\/h2>\n\n\n\n<p>Os alarmes j\u00e1 tinham soado na ind\u00fastria autom\u00f3vel, mas agora o alerta ganha novos contornos com a guerra entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia. A crise de semicondutores tem deixado os fabricantes \u00e0 beira de um ataque de nervos: n\u00e3o h\u00e1 material para produzir os carros, o que leva a uma crise nas vendas. Ao que o Nascer do SOL apurou, h\u00e1 quem espere mais de seis meses por um ve\u00edculo novo e como n\u00e3o s\u00e3o entregues carros para a troca tamb\u00e9m o mercado de segunda m\u00e3o sai afetado. Tamb\u00e9m os carros de servi\u00e7o n\u00e3o existem.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma preocupa\u00e7\u00e3o partilhada ao nosso jornal pela Associa\u00e7\u00e3o de Fabricantes para a Ind\u00fastria Autom\u00f3vel (AFIA). \u00abA crise dos semicondutores continua a afetar os produtores de componentes para autom\u00f3veis. O conflito R\u00fassia \/ Ucr\u00e2nia est\u00e1 a agravar ainda mais esta situa\u00e7\u00e3o de escassez de semicondutores e falhas nas cadeias de abastecimento, o que t\u00eam provocado paragens tempor\u00e1rias nas f\u00e1bricas dos construtores de autom\u00f3veis. E se as f\u00e1bricas de autom\u00f3veis est\u00e3o a parar a sua produ\u00e7\u00e3o, as empresas da ind\u00fastria de componentes s\u00e3o obrigadas a reduzir o seu ritmo de trabalho\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma garantia que j\u00e1 tinha sido dada por H\u00e9lder Pedro, secret\u00e1rio-geral da ACAP. \u00abAs linhas de produ\u00e7\u00e3o, muitas delas, ficaram paradas por causa da crise dos semicondutores. N\u00e3o conseguem corresponder ao que \u00e9 o normal fluxo de fornecimento da cadeia de produ\u00e7\u00e3o devido \u00e0 falta de chips e isso prejudica todo o canal de produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que estamos muito dependentes da \u00c1sia. Precisamos de contar ainda com as dificuldades de transporte. O transporte mar\u00edtimo \u00e9 hoje muito diferente do que era antes da pandemia. H\u00e1 um aumento exponencial dos custos de transporte porque h\u00e1 menos oferta e isso contribui para esta dificuldade de trazer os componentes que s\u00e3o necess\u00e1rios para o fabrico dos autom\u00f3veis\u00bb, admitiu ao Nascer do SOL.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo discurso \u00e9 repetido pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Ramo Autom\u00f3vel (ARAN). \u00abA crise dos chips obrigou o setor autom\u00f3vel a retrair a produ\u00e7\u00e3o, com os fabricantes a reduzirem para perto de metade o n\u00famero de carros que previam produzir\u00bb, chegou a referir ao nosso jornal, lembrando que esta componente \u00e9 crucial \u00abpara colocar em funcionamento todo o tipo de sistemas, que permitem a execu\u00e7\u00e3o da parte operacional dos autom\u00f3veis\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>E qual o \u2018perigo\u2019 acrescido? Atualmente, os chips s\u00e3o t\u00e3o essenciais na produ\u00e7\u00e3o de carros quanto o a\u00e7o, o alum\u00ednio e o pl\u00e1stico. E a \u2018bomba\u2019 est\u00e1 criada: face a estas falhas \u00e9 expect\u00e1vel que os custos de produ\u00e7\u00e3o aumentem com impacto no produto final. Isto significa que o pre\u00e7o para o consumidor final tender\u00e1 a aumentar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Guerra muda panorama<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa \u00e9 certa: se se esperava que o problema dos chips come\u00e7asse a entrar em fase de resolu\u00e7\u00e3o este ano, essa ideia pode ter ca\u00eddo por terra. \u00abAntes da eclos\u00e3o do conflito na Europa, a previs\u00e3o global era a de que a escassez de chips e semicondutores regressasse aos valores pr\u00e9-pandemia dentro de dois ou tr\u00eas anos. No entanto, o contexto recente veio mudar bastante o panorama e, neste momento, acreditamos que venha a demorar mais\u00bb, confessa ao nosso jornal, Pedro Silva, diretor geral OPCO.<\/p>\n\n\n\n<p>O respons\u00e1vel acrescenta que o facto de ter existido um \u00abaumento significativo\u00bb no pre\u00e7o dos combust\u00edveis \u00abtamb\u00e9m contribui para a situa\u00e7\u00e3o preocupante que se vive: toda a log\u00edstica e transporte das novas unidades fica condicionada\u00bb. E lembra os muitos desafios que os clientes da empresa enfrentam: \u00abSe antes os fornecedores e subfornecedores tinham uma oferta maior, atualmente t\u00eam de fazer uma gest\u00e3o muito mais cuidada no que diz respeito \u00e0 venda e ced\u00eancia dos seus materiais\u00bb, lamenta, lembrando que a Ucr\u00e2nia \u00ab\u00e9 detentora de grande parte da ind\u00fastria de m\u00e3o-de-obra intensiva e \u00e9 um dos maiores produtores mundiais de mat\u00e9rias-primas (fornece 90% do n\u00e9on necess\u00e1rio \u00e0 grava\u00e7\u00e3o a laser dos semicondutores), o que abala ainda mais a recupera\u00e7\u00e3o desejada\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim sendo, n\u00e3o h\u00e1 perspetivas para o fim desta crise. Por isso, o respons\u00e1vel defende ser importante \u00abpensar em alternativas que passem pela independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos grandes produtores e, al\u00e9m disso, pela atua\u00e7\u00e3o com o intuito de acelerar a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, de que h\u00e1 tanto tempo se fala. Estas, contudo, n\u00e3o ser\u00e3o certamente solu\u00e7\u00f5es a curto ou mesmo m\u00e9dio prazo\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>E, claro, Portugal n\u00e3o foge a este problema \u00abna medida em que a ind\u00fastria portuguesa exporta grande parte dos componentes e a quase totalidade dos ve\u00edculos que ajuda a construir e a desenvolver\u00bb, defende Pedro Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Os impactos, defende, acontecer\u00e3o por fases. Numa primeira fase, o impacto do aumento de pre\u00e7o de mat\u00e9rias-primas, \u00abo qual pode n\u00e3o ser refletido no pre\u00e7o de venda\u00bb. Depois vem o impacto a n\u00edvel de transporte e log\u00edstica, com o aumento do pre\u00e7o dos combust\u00edveis, \u00abaumento esse n\u00e3o apenas a n\u00edvel de transporte mas tamb\u00e9m a n\u00edvel de energia para alimentar toda a opera\u00e7\u00e3o\u00bb. E acrescenta: \u00abSe ambas as parcelas sobem, todos os custos de produ\u00e7\u00e3o se ir\u00e3o avolumar\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, numa segunda fase, toda a cadeia de fornecimento, garante, \u00abse ir\u00e1 ressentir nas falhas de fornecimento, material e no cumprimento de entregas, sendo essas com consequ\u00eancias imprevis\u00edveis\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Resumindo, \u00abo facto de n\u00e3o estarmos a produzir o volume previsto, repercutir-se-\u00e1 no volume de exporta\u00e7\u00f5es, que por sua vez ter\u00e1 um impacto enorme na nossa economia nacional\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados da Associa\u00e7\u00e3o Autom\u00f3vel de Portugal n\u00e3o mentem: em janeiro a produ\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel caiu 30,5% face ao mesmo m\u00eas de 2021. No m\u00eas de fevereiro caiu 16,5% face ao m\u00eas hom\u00f3logo do ano passado. E nos dois primeiros meses de 2022, constatou-se uma queda de 23,2% face ao igual per\u00edodo do ano anterior. Para Pedro Silva, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas: \u00abSe estes s\u00e3o os dados relativos a Portugal, retirem-se as conclus\u00f5es a n\u00edvel global\u00bb. Para o respons\u00e1vel, s\u00e3o valores que revelam \u00abque tanto a venda como a produ\u00e7\u00e3o de carros continuar\u00e1 a diminuir e, com o agravamento da instabilidade nas cadeias de abastecimento, a falta de semicondutores, chips e mat\u00e9rias-primas, bem como a futura falta de componentes, isto tudo na sequ\u00eancia de uma situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica e no atual cen\u00e1rio de guerra, ir\u00e3o trazer ainda mais desafios ao setor\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a OPCO diz saber, a partir de v\u00e1rios clientes na \u00e1rea de manufatura, montagem e transporte em diversos pa\u00edses, \u00abque tem havido especial preocupa\u00e7\u00e3o pelos colaboradores russos e ucranianos, sabendo que estes colocam a hip\u00f3tese muito real de abandonarem os seus postos de trabalho para prestarem servi\u00e7o humanit\u00e1rio, ou mesmo militar, nas suas na\u00e7\u00f5es\u00bb, falta de colaboradores que poder\u00e1 prejudicar ainda mais a produ\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p>E se a produ\u00e7\u00e3o autom\u00f3vel \u00e9 afetada, tamb\u00e9m a entrega de carro \u00e9. \u00abNeste momento h\u00e1 consumidores finais a esperarem at\u00e9 um ano por um carro novo\u00bb, confessa Pedro Silva. Situa\u00e7\u00e3o que, ali\u00e1s, acontece quase desde o in\u00edcio desta crise dos chips. Situa\u00e7\u00e3o que, defende, resulta dos desafios relacionados com o agravamento da instabilidade nas cadeias de abastecimento, a falta de semicondutores, chips e mat\u00e9rias-primas, a situa\u00e7\u00e3o pand\u00e9mica e a guerra, \u00abque vem despoletar novos problemas como a interrup\u00e7\u00e3o de cadeias de fornecimento, falta de materiais como, por exemplo, cablagens, bem como a escassez de colaboradores em pa\u00edses de Leste, tudo isto a somar a todas as dificuldades de colabora\u00e7\u00e3o entre equipas multidisciplinares de v\u00e1rios pa\u00edses\u00bb.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte:&nbsp;<a href=\"https:\/\/sol.sapo.pt\/artigo\/765513\/crise-dos-chips-continua-a-abalar-automovel\">Nascer do Sol<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise dos chips ainda n\u00e3o tinha sido superada mas com a invas\u00e3o russa na Ucr\u00e2nia pode piorar. 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